Entrevista com Lord A:. Um pesquisador imortal!

10624875_10204477006269312_3535145016548234510_nLord A:. ou Axikerzus Sahjaza é o nome noturno de um Vampyro que aproveita sua atemporalidade há mais de duas décadas como artista plástico, Dj, escritor e promotor de eventos para pessoas afins – em alguns momentos, tenta aprender a tocar violino e, em outros, coordena o chamado Círculo Strigoi.

É o autor da obra “Mistérios Vampyricos” lançada pela Editora Madras em agosto de 2014. Além de pesquisador na área, Lord A:. mantém o site Rede Vamp e como uma autoridade no tema da “Coleção Sobrenatural: Vampiros” (da Avec Editora) foi convidado a escrever prólogo do livro e concedeu essa entrevista para provar que os Imortais estão voltando com tudo.

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Vagner Abreu: Quais obras que mais lhe influenciam a escrever textos sobre terror, horror ou histórias de vampiros?

Lord A:. Clássicos como Christabel, Carmilla, Varney, Dracula, livros da Anne Rice e Stephen King no passado – hoje Guillermo Del Toro [The Strain], Chuck Hogan [The Strain], Giulia Moon, André Vianco e Charlaine Harris [Vampiros em Dallas].

Ao menos na parte fantástica são nomes que sempre me vêm a mente. Na hora de partir para a pesquisa histórica do gênero ando nas trilhas abertas por Radu Florescu e Raymond T. Mc Nally, J.Gordon Melton [O Livro dos Vampiros: A Enciclopédia dos Mortos-Vivos] e outros tantos.

O_LIVRO_DOS_VAMPIROS_1231804991PUma pena que os primeiros ainda são do final dos anos 1970 e 1980 – e o segundo seja um compilador cujo cerne da obra seja do comecinho de 1990 e a maior parte do que escreveu esteja limitada e desatualizada há pelo menos vinte anos.

O que rendeu um trabalho de imortal ( quase 10 anos) para elaborar, lapidar e lançar um livro como o “MISTÉRIOS VAMPYRICOS: A ARTE DO VAMPYRISMO CONTEMPORÂNEO” pela editora Madras – onde atualizamos muitos destes conteúdos com o que há de mais recente nas pesquisas multidisciplinares do contexto VAMP e outros assuntos ainda inéditos no Brasil até esta publicação – mas já corriqueiros na Europa e América do Norte… Como também um pouco das últimas quatro décadas de produção cultural do gênero no Brasil.

 

Vagner: Para você, quais elementos não podem faltar em uma história de vampiro?

Lord A:. Sangue! Caça, espreita, sedução, sensualidade, morte e renascimento – seja em um triunfo derradeiro ou na queda fatal em uma existência vampiresca. Pensando culturalmente temos aqui todos os tabus – e totens – contemporâneos.

O vampiro também carrega em si o carisma da imortalidade algo que fala sobre como preservar o que pode haver de melhor (ou pior) entre os humanos. Claro que o atributo principal é a presença de uma boa trama, uma narrativa bem conduzida e com o elemento da tensão bastante desenvolvido.

Personagens densos e bem construídos com repertório de idéias e de diversidade de gêneros são o ponto mais atraente para uma boa história de vampiros… E claro, viradas súbitas a cada momento do roteiro…

 

Vagner: Faça uma análise do atual leitor brasileiro: Por que você acredita que o público pode se interessar por contos de vampiros?

darkages3Lord A:. O leitor brasileiro gosta do tom romântico – não exatamente daquele tom água com açúcar e sim daquele espírito germânico de tempestade e fúria.

Onde um vampiro ressoa e ruge tal como um grande caçador despertando os mortais para a vida efêmera e ilusória em que desperdiçam o próprio sangue – pautado apenas em ilusões de carreira e filosofias medíocres para justificarem ao menos nas idéias suas condições de poder, sempre risíveis perante o poder da natureza – que o vampiro é sempre o procurador nas histórias – sem dúvida o sangue deles será mais bem aproveitado por um caçador primevo.

 

Vagner: Para você quais alegorias ou metáforas os sanguessugas podem simbolizar para os leitores modernos?

Lord A:. Nestes oito anos realizando palestras e conferências diversas sobre o tema nos incontáveis eventos que participei ou mesmo batendo papo com os leitores e leitoras da Rede Vamp há praticamente “o vampiro de cada um” – como o célebre título da antologia de contos da autora Martha Argel.

Enfim, penso no espírito caçador, o coração feral, a negação do senso comum e empobrecido do cotidiano, a derrocada do pensar moderno e pós-moderno… a revanche do ecossistema e muitos outros. Personagens vampiros e vampiras são verdadeiros no seu âmago – querem o sangue, querem vida, querem viver a qualquer custo. Isto é algo que falta nas pessoas de hoje, tão sem tempo para nada que não agrade seus egos alquebrantados e frágeis – elas se esquecem de seu lado imortal – ainda que lírico ao menos…

Vagner: Segundo o seu ponto de vista, quais povos ou nações (da antiguidade ou da era moderna) que mais contribuíram para a mitologia vampiresca e quais são os que mais lhe servem como referencial?

LivroBlogLord A:. O vampiro é a representação do longevo espírito caçador dos tempos míticos da chamada Era do Ouro nos tempos de hoje – aquele aspecto límbico e reptílico de cada um.

Por excelência transregional e atemporal. Algo perene que ainda hoje se expressa em nossos comportamentos mais ferais e inusitados – e em geral causa algum constrangimento como um bocejo, uma ereção ou mamílos rígidos no ambiente corporativo.

Ao menos o vampiro dos meus contos (desde os tempos do ído TintaRubra) se desenvolvem misteriosos, monistas e pagãos. O que é brutal e reprovável para uma cultura urbana e das cidades existe no meio do mato, por negar suas filosofias e idealizações é tomado como marginal, ameaçador e inculto.

Embora, no final das contas não o seja e tampouco tenha sido para quem morasse no meio do mato. Nesta formula é possível criar muita coisa interessante. Gosto de vampiros de outras eras e reinos orientais, nórdicos ou de terras que basicamente foram nomeadas de barbarescas – eles carregam um sabor e tempero de atavismo com grandes cargas criativas.

 

Vagner: Agora que terminaram praticamente todas as séries de TV, filmes e livros sobre vampiros afeminados que só …“mordem pescoço” depois do casamento. Como você acredita que será a próxima geração de histórias sobre vampiros? É possível haver um resgate daquele monstro sinistro vitoriano?

Lord A:. Sabe, eu penso em termos de algo que permita um certo exagero e que ainda assim mantenha um cânone.

O vampiro tem um cânone próprio e um ethos muito atraente desde os tempos dos centavos mortais ingleses ou ainda antes – que eram romances dos tempos vitorianos… vai lá que Varney e seus inúmeros escritores oscilavam entre um “terrir” e uma história do tipo “Scooby Doo” onde o imortal sempre se dava mal e era condenado pela moral (exagerada) daqueles tempos.

Na febre Crepúsculo o tom pastel vitoriano sem graça foi elevado as últimas consequências de um gótico moderno (daquele empobrecido de integrante da  subcultura gótica…gótica mesmo…rs) bem avacalhado – mas que felizmente já acabou.

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Ao mesmo tempo tivemos True Blood, The Vampire Diaries e o Dracula da NBC – que ofereceram possibilidades incríveis de vampiros (True Blood e o Dracula da NBC) no caso (líderes visionários e sedutores exagerados com visões de outras eras forçados a se adaptarem aos tempos modernos sem muito condimento); o TVD teve apenas como mérito manter vampiros sanguinolentos nos pastiches adolescentes.

Depois disso tudo veio o The Strain (do genial Guillermo Del Toro) que redesenhou de forma extremamente criativa o gênero. E agora vemos o blockbuster Dracula Untold nos cinemas priorizando o amor de um pai pelo seu filho, pela família e seu reino – ao invés do romance (repleto de chagas psicológicas vitoriano de seu criador Bram Stocker).

São novos tempos para vampiros que são fiéis ao cânone do gênero mas aptos para lidarem com seu anacronismo e cenários distópicos para novas audiências… não sei o que vem pela frente – mas ao menos temos Anne Rice voltando para os estúdios de cinema!

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capaSentiu toda a bagagem cultural e filosófica que uma mera história de terror sobre vampiros pode conter? Identificou-se com Lord A:. e sua visão embasada sobre os Amaldiçoados?

Então adquira já o “Coleção Sobrenatural: Vampiros” da AVEC editora nesse link e leia  essa antologia que está renovando o aspecto horroroso dos Filhos da Noite.

A antologia do terror também pode ser adquirida no Gato SabidoJet BookKoboCulturaTravessaCuritiba.

E não deixe de conferir outras novidades em lançamentos nacionais na AVEC Store.

 

Crédito da Entrevista: Vagner Abreu, Assessor de Comunicação.

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