“Quem quer viver pra sempre?” … Saiba a resposta com Fred Furtado

“Um menino descobre que existem coisas mais aterrorizantes do que as gigantescas nuvens de poeira que engolem sua cidade.”

49301_666772970_4859_n_400x400Imortais. Se há uma coisa que se deve afirmar dos vampiros é que eles vivem para sempre. Mas quais implicações essa existência pode trazer? Será o eterno, um solitário acostumado a ver seus queridos morrer? Pode esse desapego com a vida transformar o que já foi humano em um monstro?

Fred Furtado é PhD em Biologia e jornalista científico que observa a não-vida dos mortos-vivos. Ele já escreveu contos sobre vampiros e também compartilhou suas ideias em mesas de RPG.

Agora, Fred colaborou com o conto “Sangue e Poeira” para a Coleção Sobrenatural: Vampiros da Avec Editora. Nesta entrevista exclusiva, reflete sobre os imortais e sugere como o mais sedutor entre os mortos-vivos será no futuro.

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Vagner Abreu: Quais obras (literárias, filmes, quadrinhos, seriados de TV, música etc.) que mais lhe influenciam a escrever textos sobre terror, horror ou histórias de vampiros?

Fred Furtado: As influencias são muitas, mesmo porque não me considero apenas um escritor de horror ou terror. Prefiro dizer que escrevo literatura especulativa. Para me concentrar no tema da antologia, vampiros, diria que as principais obras que me influenciaram foram Drácula, do Bram Stoker; as Crônicas Vampirescas, da Anne Rice, principalmente o Entrevista com o vampiro; e Eu sou a lenda, do Richard Matheson.

De fato, se você conhece o Eu sou a lenda, vai ver que ele foi uma forte inspiração. Considero o Matheson um grande escritor desse campo especulativo e essa história, especificamente, fantástica, começando já pelo título e suas implicações para o desfecho da narrativa.

Além dessas obras, seria injusto não citar Vampiro: A Máscara, um RPG escrito por Mark Rein-Hagen na década de 90, e o qual joguei muito, como tendo estimulado ainda mais meu interesse pelo tema.

Eu e o Carlos Patati*, que também escreve na antologia, quase fomos os autores de um suplemento para esse jogo que descrevia o Rio de Janeiro na ambientação do RPG. O trabalho não vingou, mas você pode ler o material que produzimos AQUI

eu-sou-a-lenda-412x600.

*Nota do Editor: Carlos Patati é destacado autor nacional, tendo publicado contos e quadrinhos desde os anos 1970. Ele também colaborou com a Coleção Sobrenatural: Vampiros e será o próximo entrevistado.

Também assisti muito filme de vampiro tarde da noite quando era criança. Principalmente, os da produtora inglesa Hammer, aqueles com o Christopher Lee de Drácula e o Peter Cushing de Van Helsing. Ainda vi clássicos como Blácula [Blácula, O Vampiro Negro no Brasil], marco do blaxploitation dos anos 70.

Finalmente, tem um quadrinho da DC [pelo selo Vertigo] que me interessou muito quando eu era adolescente: I… Vampire, que contava a história de um vampiro, Andrew Bennett, e sua cruzada contra a ex-amante, Mary Seward, uma vampira sanguinária que ele havia criado.

 

Vagner: Para você, quais elementos não podem faltar em uma história de vampiro?

vampiro-energc3a9ticos-4Fred: O tema “vampiros” se expandiu tanto que poderíamos falar por horas sobre os elementos que precisam ou não estar presentes nas histórias. De todos eles, o único que, para mim, é um requisito básico é a imortalidade. Ela não precisa estar presente de maneira forte. Por exemplo, não espero que a narrativa se desenrole ao longo de séculos. Gosto que o fato do vampiro não morrer esteja pelo menos implícito: seja por uma fala ou uma cena que explore uma lembrança do personagem.

Mais até que a sensualidade, que se tornou um tema muito associado à figura do vampiro, a imortalidade é um aspecto da lenda que atrai. Todo mundo tem medo da morte. Então é fascinante pensar que poderia haver um meio de escapar dela, mesmo que para isso tivéssemos que pagar um preço relativamente alto, como ter que matar para sobreviver e nunca mais poder sentir o calor do sol. Sem falar das consequências psicológicas de se viver para sempre: distanciamento emocional, tédio, solidão e insanidade.

Gosto das presas também.

 

Vagner: Faça uma análise do atual leitor do Brasil: Por que você acredita que o público brasileiro pode se interessar por contos de vampiros?

Fred: Não sou nem de longe um entendido sobre o leitor brasileiro ou o mercado editorial, logo o que vou dizer é puramente baseado na minha percepção empírica dessa questão.

A literatura especulativa nunca foi muito forte no Brasil, embora houvesse (e ainda haja) bons autores, mas essa situação parece estar mudando, graças a uma maior exposição do gênero gerada não só pelos livros, mas também por filmes e séries de TV.

Dado esse cenário, é de se esperar que os leitores brasileiros estejam buscando mais material para consumo, mais especificamente, material nacional. O vampiro é um mito que se tornou universal – é fácil imaginarmos um morto-vivo em Nova York, Londres, Berlim, Tóquio, Sidney, Cidade do Cabo ou Rio de Janeiro, sem isso nos causar estranheza. Ou seja, trazer essa criatura para a realidade brasileira não requer um esforço extremo. Certamente, é mais fácil do que adaptar elfos, por exemplo.

Vários autores dessa antologia foram mais adiante e adaptaram o vampiro para vários aspectos da nossa cultura – não é o Drácula visitando o Brasil, é um vampiro daqui mesmo deixando uma trilha de sangue pela cidade. Acredito que os leitores vão se interessar por isso, por essa adaptação do mito.

 

vampires22f-2-webVagner: Para você quais alegorias ou metáforas os sanguessugas podem simbolizar para os leitores modernos?

Fred: O vampiro como transgressor, aquele elemento que viola as regras da sociedade e da vida (além das sexuais, é claro), que não deve satisfação a ninguém parece ser a principal alegoria hoje em dia. Também gosto muito da visão do vampirismo como uma doença, uma epidemia, que está voltando um pouco.

 

Vagner: Quais povos ou nações (da antiguidade ou da era moderna) que mais contribuíram para a mitologia vampiresca e quais são os que mais lhe servem como referencial?

Fred: Apesar de haver, no mundo, várias lendas de criaturas que compartilham características com o vampiro que ficou cristalizado no imaginário popular com Drácula, diria que a maior influência vem mesmo da Europa Oriental, de onde o Bram Stoker tirou a figura histórica do Vlad Tepes e criou o ícone do vampiro moderno. Depois disso, os países de língua inglesa, como Estados Unidos e Inglaterra, foram os que mais contribuíram, graças ao volume de obras produzidas.

 

Vagner: Agora que terminaram praticamente todas as séries de TV, filmes e livros sobre vampiros afeminados que só …“mordem pescoço” depois do casamento. Como você acredita que será a próxima geração de histórias sobre vampiros? É possível haver um resgate daquele monstro sinistro vitoriano?

Fred: Sim, é possível e isso já esta acontecendo. O pêndulo está voltando pro lado do monstro. Um exemplo é a série de TV The Strain (algo como “a cepa”), baseado na trilogia homônima do Guillermo del Toro e do Chuck Hogan, que apresenta vampiros monstruosos, nada sedutores, e malévolos. Essa deve ser a tendência agora. Inclusive, foi o tema maior da antologia.

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10514540_853157321362501_8542447598554536508_nAmigo leitor da AVEC Editora, qual sua visão de vampiro ideal? Eles devem ser meigos, samaritanos ou monstros imortais? Reflita sobre a resposta e comente abaixo.

Mas adquira já o seu exemplar de “Coleção Sobrenatural: Vampiros” nesse link e conheça a interpretação de Fred e de muitos outros autores sobre os Filhos da Noite. A antologia também pode ser adquirida no Gato SabidoJet BookKoboCulturaTravessaCuritiba,

E não deixe de conferir outras novidades em lançamentos nacionais na AVEC Store.

 

Crédito da Entrevista: Vagner Abreu, Assessor de Comunicação.

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